- Nº 2098 (2014/02/13)
Heloísa Apolónia, da Comissão Executiva
do Partido Ecologista «Os Verdes»

«A CDU é<br>a voz da denúncia<br>e a mão da alternativa»

Em Foco

«A denúncia impõe-se a todos os níveis. Aquilo a que assistimos hoje, em Portugal, por parte do Governo, é a mais vil tentativa de construir uma ilusão para enganar os portugueses. De há uns tempos a esta parte, o Governo tenta fazer crer que os inesgotáveis sacrifícios que pediu ao povo estão a dar resultado. É como se nos dissesse, com a maior mesquinhez, “a vossa pobreza salvou o País”.

Mas como não podem dizer isso, porque dizer essa verdade lhes ficaria mal, dizem que os sectores económicos estão a recuperar, pondo grande ênfase na forma como criaram condições para que os portugueses, subitamente, regressassem à agricultura que criou milhares de postos de trabalho, dizem. Entretanto, veio o Instituto Nacional de Estatísticas e diz que no último ano, só na agricultura, se perderam mais de 50 mil postos de trabalho. As mentiras do Governo PSD/CDS não param. Vangloriam-se com a descida do desemprego, sem relacionarem os números com os brutais níveis de emigração, como não se via desde a década de 60. Destroem-se postos de trabalho e criam-se postos de exploração, com salários miseráveis e com uma precariedade assustadora.»

(…) «O que a CDU diz é que este futuro não serve o País, e asseguramos que há uma política alternativa de esquerda, que rejeita que a pobreza das pessoas seja condição para a regularização de um défice que a União Europeia impõe e que o Governo acata. Uma alternativa que vê nas pessoas, no seu desejo de trabalho, o foco para alavancar uma economia sustentada numa produção localizada, promotora do desenvolvimento regional, que faça dos factores ambientais, sociais e económicos uma complementaridade e não uma constante oposição. Uma alternativa que toma um Estado, não como um vendedor a saldo dos mais diversos sectores económicos estratégicos, mas que os potencia para servir o bem-estar das populações, assegurando os mais preciosos serviços essenciais. Uma alternativa que opta pelo povo português, no respeito absoluto por todos os povos do mundo e não pelas elites de uma Europa há muito divorciada dos cidadãos» (...).